Estas 5 dicas para viajar sozinha podem parecer básicas, mas são fáceis de assimilar e, na verdade, viajar sozinha está longe de ser o bicho de 7 cabeças que muita gente pinta!

Então, estás a pensar viajar sozinha mas tens medo ou não te sentes confortável em fazê-lo? Como já disse, não é um bicho de 7 cabeças e, posso dizer por experiência própria que viajar sozinha é, sem qualquer dúvida, uma aventura em que todas(os) devíamos embarcar! 

Na minha primeira vez a viajar sozinha, fui até ao Irão, estávamos nós no ano de… 2008 talvez, não sei bem?! Na altura, pareceu-me uma loucura, pintavam um retrato tão assustador daquele país, só faltava dizer que comiam criancinhas ao pequeno-almoço. Muitas horas depois, com uma escala pelo meio em Paris e, quando cheguei, a única coisa que me assustou, sabem o que foi? As casas-de-banho. Não comem criancinhas, mas são quase todas diferentes das nossas. Trata-se de uma pequena barreira cultural (e bem pequena!), nada mais do que isso.


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Somos educadas(os) desde crianças a acreditar em inúmeros mitos e preconceitos, depois os media perpetuam e reforçam estas ideias, a maioria delas completamente absurda! Uma delas é a de que uma pessoa que viaja sozinha – ainda por cima se for mulher – é antissocial, não bate bem da cabeça ou qualquer coisa do género.

Em cima disso, ainda juntam ideias pré-concebidas de que “os ocidentais é que têm razão” e de que “todos devem viver como nós europeus”.

Nada disto é verdade! 

Viajar sozinha. Porque não?


Então, eu sou acérrima defensora de que:

1 – Quem viaja a solo percorre caminhos que, de outra forma, talvez não descobrisse. E com isto não digo que não é bom viajar com outras pessoas! São experiências diferentes e ambas podem ser espectaculares. O que acontece é que, quando estamos com outras pessoas, temos tendência para manter-nos dentro da “bolha” em que nos encontramos e, no que toca a visitar este sítio em vez daquele, muitas vezes as escolhas não são consensuais. Vai-se pela escolha da maioria ou de quem apresenta os melhores argumentos (quanto a vocês não sei, mas eu sou péssima nisto!). 

2 – Se uma região ou um país tem culturas, tradições e religiões diferentes das nossas, isso abre portas a experiências novas, que nos fazem sair da nossa zona de conforto. O que pode parecer assustador, acaba por ser a descoberta de realidades incríveis!

3 – Há um mundo inteiro que desconhecemos. Também acredito que podemos visitar o mesmo destino várias vezes e, de cada uma dessas vezes, descobrir coisas novas e embarcar em aventuras sem precedentes.

4 – Viajar sozinha(o) é muito gratificante e ajuda-nos a ser mais resilientes e independentes. Não é independentes no sentido de não precisar de mais nada nem de mais ninguém na vida, falo de independência no sentido de aprendizagem, da pessoa saber desenvencilhar-se quando surge algum desafio sem ter alguém ao lado que o faça por ela. 

Viajar sozinha. É perigoso?

Como em quase tudo na vida, a resposta é: “depende”. Depende das circunstâncias, do local, das pessoas que nos rodeiam, do ambiente… depende da nossa capacidade de avaliação e raciocínio. 

Viajar sozinha ajuda a reforçar a autoconfiança e, em consequência, a dar um boost na autoestima! Damos por nós a ter de perder a vergonha e a pôr de lado a timidez (características que me assistem bastante!) e a falar com estranhos, a conhecer pessoas novas, a falar noutras línguas e até a partilhar experiências com pessoas de quem não sabemos o nome e que, provavelmente, nunca mais iremos encontrar. 


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Uma vez um nativo de um país asiático disse que eu parecia um animal selvagem, sempre desconfiada e a avaliar o que estava a acontecer à minha volta. Pessoalmente não me descreveria assim, até porque sou bastante distraída. O que acontece é que quando estou num ambiente que não me é familiar, tendo a manter-me mais vigilante. Não tanto por achar que alguma coisa má vá acontecer, mas numa tentativa de absorver tudo o que se passa, para não perder pitada!

5 dicas para viajar sozinha e quebrar preconceitos de uma vez por todas!

5 dicas para viajar sozinha e quebrar preconceitos de uma vez por todas!

1.

5 dicas para viajar – Mantenham-se vigilantes e tenham sempre precauções de segurança

Na realidade, todas as precauções que uma mulher (ou um homem!) tem no dia-a-dia devem ser aplicadas quando viaja sozinha. 

a) Não perder os seus pertencentes de vista (em especialmente documentos de identificação, dinheiro, cartões, telemóveis, computadores…)

b) Cuidado com a bebida! Para quem quer beber uns copos a mais, não o façam com pessoas que mal conhecem ou que não conhecem de todo, podem estar a expor-se a situação de vulnerabilidade que não podem controlar! Eu diria: “guardem essas tequilas para quando estiverem com amigos!”.


c) Ter atenção redobrada à noite, evitar becos, zonas com pouca ou nenhuma iluminação, mal frequentadas ou que não conhecem. Deixem esses passeios para fazer durante o dia, quando é mais fácil avaliar.

d) Cumpram sempre as regras formais ou informais de vestuário do sítio onde se encontram. Devemos respeitar os locais que visitamos e evitar trocas de palavras desagradáveis ou olhares de censura que podem levar a situações de conflito.

e) Façam questão de manter sempre alguém – familiares e/ou amigos – a par das vossas movimentações: onde estão e o que pensam fazer a seguir. 

f) Façam uso do vosso sexto sentido! A vossa intuição pode ser a vossa melhor amiga quando viajam a solo. Se algo não vos parece bem, não tenham medo de recusar ou de usar uma mentirinha para sair dessa situação o mais rápido possível. Se não vos parece bem, não vale a pena arriscar!

E pesquisem bastante sobre viagens a solo, usufruam da partilha de conhecimento e de experiências de outras pessoas que também já viajaram sozinhas. 

2.

5 dicas para viajar – Antes de viajar, leiam e vejam vídeos sobre o(s) país(es) de destino

Há informações básicas que devemos saber antes de embarcar: 

a) qual é a moeda e como vou fazer os meus pagamentos enquanto estiver no país

b) qual é o custo de vida ou de estadia para turistas – é comum haver preço para residentes e preço para estrangeiros 

c) qual o sistema de saúde – o meu conselho é que façam um seguro se viajarem para fora da União Europeia

d) se é preciso vacinas específicas, algo que podem saber na consulta do viajante

e) qual a religião predominante e se há exigências de indumentária – nos países muçulmanos pode haver obrigatoriedade de tapar o cabelo e o corpo 

f) se a cultura for tendencialmente machista redobrem as precauções, por favor!

Quando vos falei da minha viagem ao Sri Lanka (by the way, também foi uma viagem a solo!) também vos falei do Portal das Comunidades Portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que costumo visitar sempre antes de viajar para fora do país, as informações não são vinculativas, mas pintam um retrato aproximado dos locais de destino.


À parte disso, pesquiso sempre sobre a história do país, se há ou houve situações de conflito, se há ou não zonas que devem ser evitadas e quais são e o que recomendam outros viajantes que já estiveram neste destino no último ano.
Também passo a estar mais atenta às notícias internacionais, para me manter a par de potenciais alterações políticas, sociais ou económicas que influenciem a minha estadia.

Por exemplo, uma semana depois de comprar o bilhete para o Sri Lanka, houve vários atentados no país. Até embarcar, mantive-me sempre a par da situação e, durante a minha estadia, já não fiquei surpreendida com o policiamento e as barreiras policiais (nem com a reduzida quantidade de turistas para aquela altura do ano).

3.

5 dicas para viajar – Evitem demonstrações de riqueza (mesmo aquelas(es) que acham que não são ricos)

A pobreza é relativa. Lembrem-se que em muitos países há quem viva com menos de 2 ou 3€ por dia. 

Não falamos de índices de felicidade, porque o dinheiro não é tudo. Mas se vão viajar para algum país fora da União Europeia, há uma grande probabilidade de terem melhores condições do que as das pessoas que residem no vosso país de destino. E é essa a percepção de um nativo quando vê um turista europeu. Não interessa que estejam nas lonas e que andem a contar os tostões!

Por isso, evitem exibir dinheiro ou sair à rua com joias, relógios ou acessórios vistosos. Guardem o telemóvel e usem-no apenas quando precisam. Ah, e não façam como eu, que ando sempre a largar o telemóvel em tudo o que é sítio. Pôr a mão ao bolso e perceber que o telemóvel não está lá pode tirar anos de vida, acreditem!

4.

5 dicas para viajar – Escolham bem a vossa estadia (e os transportes que utilizam!)

O ideal é fazer um roteiro antes de viajar. Isso dá-vos tempo de pesquisar hotéis com boas recomendações, mesmo para quem tem um orçamento mais apertado. Se forem improvisando durante a viagem, tenham atenção às vossas escolhas. 

O Booking, por exemplo, usa aquela técnica de marketing do “só resta 1 quarto”, para pressionar o utilizador a comprar, mas não reservem sem perceber se é um sítio de confiança, com boas críticas. Tentem ver comentários e fotos de outros visitantes antes de tomarem uma decisão precipitada.

Ah, e usem transportes oficiais para não terem dissabores! Antes de viajar pesquisem quais são os meios de transporte disponíveis e quais são os mais seguros. Para quem viaja a solo, isto é crucial!

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Uma vez reservei um hotel em cima do joelho, acabei por perceber que o gerente era um tipo sombrio e senti-me bastante insegura durante as 2 noites que passei ali. Além desta escolha pouco sensata, ainda cometi a asneira de contratar um táxi através deste hotel. Resultado? Já estava dentro do carro quando percebi que este não tinha dístico, logo não era um táxi e que o rapaz não só não era taxista, como tinha pouca experiência de condução. Foram as oito horas mais penosas dessas férias. Não correu mal, mas passei cada minuto dessas oitoooooo horas a pensar na estupidez de ter entrado naquele carro sem qualquer hesitação.

Que os meus erros vos sirvam de lição!

5.

5 dicas para viajar – Não façam aquele ar desorientado de quem não faz ideia de onde está 

Já viram aquelas pessoas que estão no meio da rua com ar assustado ou desorientado? O que é que elas transmitem? Medo e insegurança. São os chamados “sitting ducks” ou “alvos fáceis” para qualquer pessoa menos bem intencionada.

Por isso, mesmo que estejam perdidas(os), nunca o demonstrem. Cara de póquer, sempre. Está tudo bem, é normal perderem-se.

Se houver um estabelecimento comercial por perto, entrem para aí poderem consultar o Google Maps ou o mapa em papel ou até para pedirem informações. Se não houver nada do género por perto, façam uma pausa, como quem precisa de retomar o fôlego, sentem-se nos degraus de uma casa ou num canto mais discreto e consultem o mapa.

Já me aconteceu (mais do que uma vez) percorrer uma rua inteira, sem fazer ideia de onde estava, e só consultar o mapa depois de dobrar a esquina e encontrar um sítio sem pessoas à vista. 

Participar em actividades de grupo, como passeios, tours, safaris ou visitas guiadas pode ser uma forma de não se perderem e visitarem locais que de outra forma não descobririam, sempre na companhia de outras pessoas.  

Para evitar abordagens atrevidas e até abusivas, há dois truques: 1. usar uma aliança bem grande e exibi-la com orgulho; 2. ter uma história preparada – verdadeira ou falsa, não interessa – por exemplo, que tem o marido e os filhos à sua espera no hotel, qualquer coisa que demonstre que não está sozinha e que alguém virá à sua procura se demorar muito tempo.


Para quem nunca experimentou viajar a solo, só posso recomendar! De todas as vezes que viajei assim, nunca me arrependi e posso afirmar que foram sempre das experiências fantásticas e enriquecedoras. 

Se vou deixar de viajar com outras pessoas para viajar exclusivamente sozinha? Não. Mas não vejo a hora de marcar a próxima viagem a solo e partir à descoberta de mais um bocadinho do mundo. 

E vocês, para onde estão a pensar ir?

Já sabem, em caso de dúvida, cá estamos para dar uma ajuda (ou umas ideias!)!


Bons passeios!

a-ana

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