Sri Lanka, uma pérola no oceano Índico | Algures entre Kandy e Ella

Dos países que já visitei, o Sri Lanka – também conhecido como antigo Ceilão – ocupa um lugar especial no meu coração, é uma casa fora de casa, fora do meu país e do meu continente europeu.

   

Na altura, em 2019 (que em 2020 não houve viagens pour moi-même, como se pode imaginar pela pandemia de proporções quase cinematográficas!), viajei sozinha, durante quase 2 semanas, e tive o privilégio de visitar várias cidades de Sri Lanka. Apesar disso, encontrei muitos casais e famílias, pelo que imagino que este deva ser um óptimo destino para lua-de-mel ou para umas férias em família.

   

Onde fica o Sri Lanka?

O Sri Lanka, constituído por esta ilha, assim como por várias pequenas ilhas adjacentes, está separado da Índia peninsular pelo Estreito de Palk e situa-se no oceano Índico.

Sri Lanka, uma pérola no oceano Índico | Portugal - Qatar - Sri Lanka | Photo by Andrew Stutesman / Icon by saragnzalez
Portugal – Qatar – Sri Lanka | Photo by Andrew Stutesman / Icon by saragnzalez

As línguas nacionais são o Sinhala e o Tamil, mas é fácil comunicar em inglês (a mímica também pode salvar em algumas situações!). A moeda é a Rupia Cingalesa (LKR) e durante a minha estadia usei várias vezes o cartão VISA sem grandes incidentes; há quase sempre uma caixa de multibanco ou ATM à mão e alguns hotéis podem trocar dólares e euros.

As principais religiões no Sri Lanka são o budismo, o hinduísmo, o islamismo e o cristianismo, mas o budismo e o hinduísmo são, pelo menos pela minha experiência, as mais marcantes (uma vez dei por mim a aterrar no que me pareceu uma cerimónia islâmica, vestida com roupa de praia, não foi o meu melhor momento!).

No Sri Lanka o clima é tropical húmido, com monções entre Maio e Setembro e com temperaturas médias entre os 23º e os 30ºC . É verdade que a temperatura nas montanhas pode ser mais baixa, mas isso nem sempre é mau.

   

Quanto custa um voo para o Sri Lanka?

Sri Lanka, uma pérola no oceano Índico | Algures no Sri Lanka
Algures no Sri Lanka

   

Eu viajei em Agosto, por isso adaptei o meu percurso ao clima dessa altura, ou seja, parti de Colombo, passei pelo interior da ilha e rumei à costa sudeste do Sri Lanka, onde aproveitei uns dias de sol maravilhosos!

Se estão a pensar viajar entre Outubro e Abril, sugiro que partam à descoberta do sudoeste desta ilha paradisíaca.

Os preços? Depende dos vossos bolsos e da vossa resistência, há viagens mais baratas, com preços na casa dos 600 ou 700€, mas com quase 30 horas de trânsito (fiz algo do género quando fui a Bali e jurei para nunca mais!). As mais rápidas (14 a 17 horas) podem ficar entre os 800 e os 1.000€, mas tenham atenção ao tempo das escalas e assegurem-se de que os aviões de ligação esperam por vocês em caso de atrasos.


Eu viajei com a Qatar Airways e eles foram cinco estrelas – na escala que fiz em Doha, havia uma funcionária muito simpática e alegre, às 6:30h da manhã (ninguém consegue ser alegre a estas horas da madrugada!), para nos guiar (a mim e a outros passageiros com o mesmo destino) para o outro avião que já esperava por nós.

   

O que é preciso para viajar para o Sri Lanka?

Sri Lanka, uma pérola no oceano Índico | Foto de mala, by STIL
Photo by STIL

Escusado será dizer que as regras mudaram no último ano e que continuarão a mudar ao ritmo da evolução pandémica. Para evitar dissabores (como comprar uma viagem e depois não ter autorização para embarcar), o meu conselho é que se informem ao máximo, junto das entidades oficiais, que vão publicando alguma informação online, assim como com outros viajantes, que vão partilhando as suas experiências.


Na página https://www.srilanka.travel/ encontram as informações oficiais que o Turismo do Sri Lanka disponibiliza (Todas as regras em vigor são aplicáveis a estrangeiros, inclusive aos já vacinados).

Os cidadãos portugueses não podem embarcar sem e-visa (visto) emitido online antes da viagem, podem pedir o vosso aqui: http://www.eta.gov.lk/slvisa/. O visto de turismo é de 30 dias, a contar da data de chegada ao país (com passaporte válido por mais de 6 meses após a data de entrada no país) e pode ser prorrogado até um período máximo de 6 meses.
No Portal das Comunidades Portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, podem ter acesso a muito informação útil (não obrigatoriamente actualizada, em particular nestes tempos de incerteza).

   

De que vacinas preciso?

Aquela de que todos falam, será talvez uma vantagem em muitos sentidos. De qualquer forma, o ideal é fazer a consulta do viajante, assim esclarecem todas as dúvidas de saúde e podem ter acesso às vacinas que forem consideradas necessárias. No meu caso, que andei sempre perto da civilização, a da Hepatite A foi suficiente.

Se estiverem a pensar embrenharem-se na selva durante não sei quanto tempo, talvez tenham de ponderar as de Encefalite Japonesa, FebreTifóide, Hepatite B e Raiva (mas isto sou eu a atirar para o ar, ninguém substituiu a opinião médica, ou seja, a opinião de quem sabe muito bem o que está a dizer!)

Podem beber água não engarrafada? Eu diria que não. Médicos e especialistas desaconselham vivamente! A rede sanitária não é como na Europa e os nossos corpinhos estão habituados a outras bactérias e a uma vida muito diferente. Sugiro que evitem água não engarrada, bebidas com gelo (que pode ser feito de água não-potável) e alimentos crus que não lavem com água engarrafada.

Ah, fiz um seguro para esta viagem. No Sri Lanka, o sistema de saúde é limitado e, pela módica quantia de cerca de 50€ tive acesso a um seguro, just in case. Se foi preciso? Não, mas não custa assim tanto prevenir.

Ainda assim, o Portal das Comunidades Portuguesas refere 2 hospitais em caso de necessidade:

National Hospital Colombo
Regente Street, Colombo 010 | Tel.: (+ 94) 112 69 11 11
Nawaloka Hospital
Deshamanyah K. Dharmadasa Mawatha, Colombo 2 | Tel.: (+ 94) 112 32 50 20

   

É um país seguro?

Li bastante antes de decidir viajar sozinha para o Sri Linka, falei com amigos que já tinham visitado a ilha e no geral, considerei que seria seguro, por isso decidi sem grandes hesitações. Comprei a viagem uma semana antes dos atentados de Abril de 2019.

Não podemos prever catástrofes, atentados, pandemias. Mas estas coisas tanto acontecem no Sri Lanka, como em qualquer cidade da Europa (como já aconteceu mais vezes do que consigo contar).

O que posso dizer é que os cingaleses reagiram com um aumento do policiamento e das fiscalizações. Havia barreiras policiais nas estradas, o meu passaporte foi mais visto do que um romance do Stephen King e fui revistada tantas vezes que lhes perdi a conta (sempre com um pedido de desculpa e um sorriso que pedia a minha compreensão).

Tirando uma ou duas situações pontuais (que poderiam ter acontecido em qualquer país onde haja machismo, ou seja, em qualquer país do mundo!), senti-me sempre segura e tranquila. Nunca larguei os meus pertences pessoais de vista, como o passaporte, dinheiro, telemóvel (mentira! perdi o telemóvel logo na primeira noite, mas afinal tinha-o deixado esquecido em cima da cama), mas essas precauções devemos ter sempre, onde quer que estejamos.

   

É um destino barato ou caro?

Depende do ponto de vista. Na realidade, o país tem preço para locais e preço para turistas, mesmo no acesso a monumentos e templos.
Na prática, paguei tanto por uma cerveja como se estivesse em Portugal, por ser turista. Mas os alojamentos onde fiquei tinham preços razoáveis e eram imaculadamente limpos. E para quem acha que a Europa é melhor em tudo: já paguei mais na Europa por MUITOOO pior. Mesmo nos hotéis mais modestos, a limpeza tinha sempre nota máxima.

   

Onde ficar?

Ora, eu tracei uma rota e fiz as minhas reservas no Booking (até do táxi, que me levou de Colombo para Kandy, que são umas 3 horas de viagem).

Para viajar entre destinos dentro de um país, a GetTransfer também pode ser uma excelente opção e está presente em muitos países!

Google Maps, apenas para referência das localizações, não sei dizer por que estradas andei e houve ali uma viagem de comboio pelo meio 🙂

Numa viagem de 10 dias, fui improvisando, desmarcando umas coisas e marcando outras.

Banner

 

Saí do aeroporto de Colombo directamente para Kandy, passei por Ella e segui para Arugam Bay. Tinha previsto seguir para Udawalawe, mas fiquei tão encantada com a praia de Arugam Bay que acabei por ficar mais uns dias. Daqui segui para Colombo (oito horas de viagem muito dolorosas!), onde fiquei até embarcar de volta para Portugal.

 

Melhor taxista de sempre! Não me abandonou, nem quando começou a chover torrencialmente e era impossível chegar ao hotel.

 

Dumbara Peak Residence, Kandy (quarto duplo, 55€/2 noites)

Cheguei nos últimos dias do Festival of the Tooth (Esala Perahera Festival), um dos maiores festivais religiosos do país, em honra do dente sagrado do Buda, que está no Templo do Dente, em Kandy.

 

 
Club Villa, Ella (quarto duplo, 23€/1noite)

De Kandy, parti de comboio para Ella, naquela que dizem ser uma das mais bonitas viagens de comboio do mundo. São 7 horas e não voltaria a fazê-lo! Passei as primeiras 3 ou 4 horas de pé, espremida contra uma parede e, em cada paragem, havia sempre mais gente a entrar do que a sair. Nas últimas horas, o comboio foi ficando mais vazio e consegui aproveitar um bocadinho para ir sentada à porta do comboio a aproveitar a vista, muitas montanhas e campos de chá a perder de vista.

Era suposto seguir directamente para Arugam Bay, mas estava tão cansada que tive de mudar de planos e passar o noite em Ella. No Club Villa fiz um workshop de comida cingalesa. A comida é picante, verdade!, mas também é deliciosa.

No dia seguinte parti finalmente para Arugam Bay, mas fiquei com a sensação de que havia muito para descobrir neste pequeno cantinho tão encantador.

 

 
East Surf Cabanas, Arugam Bay (Quarto Familiar com Vista Jardim, 148€/3 noites)
Beach Cab Resort, Arugam Bay (Quarto Duplo com Vista Jardim, 55€/2 noites)

Ia ficar 3 noites e acabei por ficar 5, adbicando da ida a Udawalawe. Mudei de hotel porque já não havia quartos livres para continuar no East Surf Cabanas.

Nestes dias aproveitei a praia, a tranquilidade, a boa comida (os corvos podem roubar-vos a comida, olho bem aberto!). Fiz um safari numa das selvas adjacentes: The Jungle BBQ, vi elefantes, crocodilos e outros animais selvagens no seu habitat natural, onde pertencem!, passeei pela pequena vila e pratiquei a doce arte de não fazer nada.

 

 
CityRest Fort, Colombo (Quarto Duplo, 40€/1 noite)

Parti de Arugam Bay mas parte de mim ficou lá, deitada na areia, rodeada de cães vadios e corvos.
A viagem foi dura, 8 horas de carro em estradas mal tratadas, entre camiões, motas, tuk-tuks, pessoas, cães e, volta e meia, um elefante.

Confesso que deprimi um bocadinho por regressar à cidade. Talvez não seja muito imparcial, porque vinha de um ambiente paradisíaco, mas achei Colombo uma cidade sem cor. A regressar ao Sri Lanka, Colombo será ponto de passagem e não de paragem.

 

Porquê viajar para o Sri Lanka?

Tenho muitos destinos na minha lista (interminável!), mas o regresso ao Sri Lanka terá de ser inevitável.

Para mais coisas para fazer no Sri Lanka, visitem a Viator que vos oferece várias soluções de experiências inesquecíveis!

As pessoas são afáveis, as paisagens lindíssimas e sente-se no ar uma energia vibrante e positiva que nos faz respirar fundo e querer deixar para trás todas as preocupações do mundo.

 

a-ana

Também pode gostar de: